Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Filosofia nos trilhos

Pérolas do trem

Todas as manhãs é inevitável a aglomeração de pessoas no trem com destino a Porto Alegre. Às vezes não é possível ler nem dormir, então só resta ouvir as conversas alheias. Hoje foi um desses dias. Peguei o trem vazio em Sapucaia, sentei, tentei dormir. Logo entraram três mulheres e pararam na minha frente, não consegui dormir por causa de suas conversas. A princípio veio a irritação, mas em seguida deixei a curiosidade tomar conta de mim e fiquei a ouvir a conversa. Estavam tão próximas a mim, não havia como evitar. Falaram tantas coisas, tantos absurdos, que preciso enumerá-los. Primeiramente, falavam de alguma conhecida, que, para elas não estava dentro do padrão de beleza ditado pela sociedade, a moça em questão – segundo elas – é gorda. Comentavam sobre suas roupas, como se elas tivessem alguma coisa a ver com isso. Diziam que a moça não se vestia adequadamente, que usava roupas curtas, justinhas. Uma delas disse ‘ela está sempre com o rabo de fora’, extremamente...

Marcas do Amor

Sempre quis escrever sobre pessoas que marcam seus corpos em homenagem a um amor, mas, o texto ficava somente na minha mente, à espera de uma oportunidade. Até que dias atrás vi um casal no trem. Ele tinha uma tatuagem no braço com o nome dela. Era visível que fora feita há pouco tempo. Percebia-se claramente a pele besuntada de pomada. Esse ato de marcar o corpo com o nome do (a) namorado (a) sempre me inspirou questionamentos. O que leva uma pessoa a fazer uma tatuagem com o nome, e às vezes até o rosto do amado (a)? Por que as pessoas fazem isso? Sinceramente, não entendo. Bom, se compararmos com as pessoas que fazem tatuagens em homenagem à celebridades, isso até que não é tão grave. Mas, voltemos ao assunto proposto. Compreendo que muitos fazem com o objetivo de prestar uma homenagem à pessoa, para mostrar o quanto ela é especial. Mas, convenhamos, há maneiras mais simples para demonstrar afeto, carinho, amor. Um cartão, uma flor, coisas do cotidiano. Eu jamais marcaria meu cor...

Leitura Coletiva

Diariamente utilizo o trem como meio de transporte e viajo por cerca de cinqüenta minutos para ir e voltar do estágio. Para fazer com que minha viagem seja um pouco produtiva procuro ocupar o meu tempo lendo, sejam livros ou revistas. Mas, acontece que certas ocasiões a leitura fica um tanto prejudicada. Explico: hoje estava eu lendo uma revista com uma reportagem sobre os bastidores, o que acontece por trás de um quarto de motel, ou seja, quem são as pessoas que trabalham para deixar tudo em ordem até a próxima “visita”. Porém, em certo momento senti que não era a única interessada em ler a matéria. Na página continha uma foto com a palavra MOTEL grifada em vermelho e letras garrafais. Concordo que não há como não despertar a atenção de olhares alheios e curiosos. Confesso que eu mesma muitas vezes não resisto a uma espiadinha nos livros, jornais e revistas de terceiros (quem já não fez isso?). No entanto, fico completamente constrangida quando alguém invade a minha leitura. Certa...

Sacríficios

Hoje a maioria das pessoas trabalha em cidade diferente da que reside, e muitos moram, trabalham e estudam em mais de um município. Este é o meu caso. Moro em Sapucaia, faço estágio em Porto Alegre e estudo em São Leopoldo. Não parece muito longe, mas como utilizo o trem, ou como é mais conhecido, o metrô, como meu meio de transporte, tenho que passar por onze estações até chegar ao meu local de trabalho. Carrego sempre comigo um livro como forma de aproveitar melhor o meu tempo, ou seja, quase uma hora que levo de ida e vinda para o estágio e para casa. Mas ultimamente isso não tem funcionado. O motivo? O trem está cada vez mais lotado, não há espaço para mais pessoas. Mal dá para se equilibrar, então curtir o meu tempo lendo um livro, já era, resta-me apenas colocar os meus fones e ouvir umas musiquinhas ou ficar observando as pessoas. Tarefa que por sinal pode ser bastante interessante, dependendo do ponto de vista. Algumas situações servem para nos divertir e outras para reflexão,...

É Preciso Consciência

Nesta semana presenciei uma cena que me deixou indignada. Estava voltando do meu estágio para casa, de metrô, e ao meu lado estavam sentados um casal com seu filho, um menininho de uns quatro anos. Em certo momento o homem estava com um saco de papel em suas mãos e jogou pela janela do trem. Quando sua esposa tentou repreendê-lo por ter feito tal ato, ele argumentou: “Ué, aqui não tem lixeira”. Eu fiquei perplexa com o que ouvi. Como assim? Ele não poderia ter guardado o saco mais um pouquinho e colocar no lixo quando descesse na estação? Não, ele preferiu fazer o que era mais fácil. E fez na frente do filho, uma criança. Será que as pessoas não percebem ou não entendem que a maioria das crianças aprende as coisas por mimetismo, e por isso se espelham nas ações dos pais e mais velhos. Que ‘belo’ exemplo ele deu ao filho! A criança que vê os pais agindo de tal forma pensa que não há problema em fazer o mesmo. Parece inofensivo um saquinho de papel, mas se todos agirem assim, imaginem...

Amantes Modernos

2008. Tudo está evoluindo de forma vertiginosa, a ciência, a medicina, a tecnologia, e as relações também. Sim, as relações já não são mais as mesmas. Mais uma vez vou relatar uma historinha que se passou no trem. Utilizar o trem todos os dias me proporciona reflexões sobre variados assuntos. Aqui mesmo neste espaço, já citei outros casos acontecidos no trem que me inspiraram a escrever o texto. Mas, bem, vamos ao assunto. Outro dia estava no trem, lotado, como de costume, lendo meu livrinho, tranqüilamente, e um casal atrás de mim estava se acarinhando com beijinhos e abraços, quando de repente ouço o seguinte diálogo: - A tua esposa não tem ciúme de ti, não? - Não, por quê? Juro que nem estava prestando atenção em suas conversas, mas quando ouvi isso, me deu um estalo. Como assim? Logicamente então aquele casal não era um casal de namorados, não eram marido e esposa, era um casal de amantes. Mas amantes em um local público? Fiquei a pensar que hoje realmente tudo está mudando. A...