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Outras formas de felicidade

Não gosto de escutar conversas alheias, me sinto invadindo a intimidade das pessoas, mas como não sou surda… Duas situações me puseram a pensar no mesmo assunto. Um dia, no ônibus, duas mulheres comentavam sobre o futuro de determinado casal: ah, se eles se amam mesmo, vão casar. Outro dia, outras duas pessoas, dessa vez homens, conversavam sobre um casal que casou há alguns anos e que ainda não tem filhos. Um deles dizia: já está na hora, já faz tempo que casaram. São dois temas diferentes; no entanto, ambos me levam à mesma conclusão. Quem disse que quando se ama é necessário casar? Onde está decretado isso? Falo por experiência própria, namoro há bastante tempo, sou feliz, e, no entanto, não temos planos de casar. Pelo menos não em um futuro próximo. Estamos bem assim, mas parece que as pessoas não acreditam. As pessoas insistem em tentar nos fazer aceitar os seus pontos de vista, ou seja, de que estamos errados. Um pedaço de papel não vai dar a mim nem a ninguém a garantia de feli...

Marcas do Amor

Sempre quis escrever sobre pessoas que marcam seus corpos em homenagem a um amor, mas, o texto ficava somente na minha mente, à espera de uma oportunidade. Até que dias atrás vi um casal no trem. Ele tinha uma tatuagem no braço com o nome dela. Era visível que fora feita há pouco tempo. Percebia-se claramente a pele besuntada de pomada. Esse ato de marcar o corpo com o nome do (a) namorado (a) sempre me inspirou questionamentos. O que leva uma pessoa a fazer uma tatuagem com o nome, e às vezes até o rosto do amado (a)? Por que as pessoas fazem isso? Sinceramente, não entendo. Bom, se compararmos com as pessoas que fazem tatuagens em homenagem à celebridades, isso até que não é tão grave. Mas, voltemos ao assunto proposto. Compreendo que muitos fazem com o objetivo de prestar uma homenagem à pessoa, para mostrar o quanto ela é especial. Mas, convenhamos, há maneiras mais simples para demonstrar afeto, carinho, amor. Um cartão, uma flor, coisas do cotidiano. Eu jamais marcaria meu cor...

Midiocracia

Injustiça, impunidade, mortes, preconceito, maus-tratos, torturas, é sobre isso que fala o livro-reportagem Bar Bodega , do jornalista Carlos Dorneles. O livro relata a história de assalto e mortes que aconteceu no interior do Bar Bodega, um bar conceituado no bairro de classe média Moema, São Paulo, no ano de 1996. Em agosto de 1996 cinco homens adentraram o local, roubaram pertences dos freqüentadores, incluindo jóias, relógios, dinheiro. Porém, isso não foi o mais grave. Os assaltantes fizeram duas vítimas fatais. A jovem estudante de odontologia Adriana Ciola e o dentista José Renato Tahan foram mortos com tiros, sem piedade. A polícia, com a gana de solucionar rapidamente o caso, prendeu o menor Cléverson, totalmente inocente na história. Como Cléverson já tivera problemas com a polícia, policiais acharam que ele estava envolvido no crime do Bar Bodega. Realmente, neste crime Cléverson era inocente. Mas, com a pressão por parte da polícia, dos familiares das vítimas e da impren...

Informação

Olá! A quem possa interessar sei que estou devendo uma atualização para o blog, mas prometo que em breve postarei novos textos. Já tenho alguns prontos, só resta-me tempo para publicá-los. Bem, por enquanto é isso. Abraço!

Conclusões precipitadas

Por que as pessoas possuem a mania de tirar conclusões precipitadas em diversos temas? E por que muitas fingem que escutam as outras pessoas para não dar margem para conversa? Hoje eu fui vítima das duas coisas, embora tenha contribuído de certa forma. Estava eu voltando do trabalho para casa, quando entrei no ônibus e fiquei de pé próxima a uma senhora sentada. Não demorou muito tempo e a sua filhinha me ofereceu seu lugar no banco. Agradeci e disse que não precisava, pois estava cansada por ficar sentada o dia inteiro. A sua mãe por sua vez, falou algo que, como estava muito barulho, eu apenas fingi que ouvi e sorri. Ainda perguntou se eu tinha certeza que não queria sentar. Agradeci novamente, e novamente ela “resmungou“ alguma coisa que não escutei completamente. Apenas compreendi que ela tinha dois filhos. Alguns minutos se passaram, o ônibus ficou lotado e a senhora com aparente preocupação me falou: “Cuidado, não vá apertar a sua barriga”. “Não, não tem problema”, lhe respond...

O fascínio pelo salto alto

Alguns dias atrás presenciei uma cena que me fez refletir e me deu a idéia para escrever este texto: dois rapazes caminhavam e quase tiveram um torcicolo ao virar seus pescoços para mirar alguma coisa. A curiosidade falou mais alto, e eu me obriguei a olhar na mesma direção que eles para descobrir o que lhes chamava tanto a atenção. O que vi foi uma moça loira, de costas. Fiquei a me perguntar o que os atraía tanto, já que a moça estava bem vestida, não posso negar. Usava um conjunto social de calça e casaquinho pretos, porém a roupa não permitia que os atributos de seu corpo ficassem em evidência. E eles não paravam de olhar, de seguir ela com os olhos. Fiquei cismada, pois não era possível ver seu rosto nem admirar seu corpo. Então olhei de novo, e prestei a devida atenção, e constatei que o que chamava tanto a atenção dos rapazes era que a moça em questão, além de estar bem vestida, usava uma sandália de salto alto, que evidenciava pelo menos os seus pés. Este foi apenas mais um f...

A repressão na era da modernidade

Numa época de modernidade, em que as pessoas teoricamente têm o direito de ir e vir, o caso da estudante Geisy Arruda, da Uniban de São Bernardo, São Paulo, que foi expulsa pela universidade (decisão já revogada) por usar uma roupa curta, ainda diverge opiniões. Após ser hostilizada pelos estudantes da Uniban, Geisy só conseguiu sair do local com o auxílio de seguranças. Tudo por causa do tamanho de sua minissaia. É sabido que o local é um espaço institucional, onde regras devem ser cumpridas, porém, chegar ao ponto de expulsar uma estudante pela maneira como se veste é um tanto absurdo. As mulheres, após muitas lutas conseguiram conquistar tantas coisas, direito ao voto, a empregos que antes eram tidos como somente masculinos, liberdade sexual, e agora, em pleno século XXI, o pensamento de alguns é como de outrora, retrógrado, realçando uma expressão que anteriormente fora chamada de “machismo”.  Os estudantes agiram como puritanos, exercendo falsos moralismos. Talvez pela propo...