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Das coisas que gostava e não gosto mais

Percebi recentemente que algumas coisas que eu gostava já não me interessam ou não me chamam tanto a atenção. A lista começa com os livros de Paulo Coelho. Alguns dirão “ainda bem”. Mas o fato é que devo a Paulo Coelho (e a meu namorado, que lia seus livros) a minha paixão pela leitura. Foi na adolescência, quando a professora de português proibia a turma de ler os livros dele, que passei a prestar atenção em Paulo Coelho, e gostar de ler suas páginas. Encantava-me aquelas histórias de magias, da busca para descobrir o que se quer, dos exercícios – que mais pareciam feitiços – que existiam em alguns de seus livros. Lia todos os livros de Paulo Coelho que passavam pela minha mão, até que chegou a vez de A bruxa de Portobello , e o que parecia interessante se tornou extremamente cansativo. Não aguentava mais ler as mesmas coisas de sempre: magias, caminhos, busca pessoal, guerreiro da luz. Confesso que na minha estante há muitos livros dele, mas que não leio mais. Mas, como sou apegada...

É necessário refletir

Na semana passada o Brasil ficou chocado com a tragédia na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro. Também fiquei horrorizada, pois crimes desse tipo, em que um maluco entra numa escola vitimando vários estudantes, parecia coisa quase exclusiva da sociedade norte-americana. Não lembro de ter ouvido falar nada desse tipo no Brasil. Os tristes acontecimentos desencadearam uma série de opiniões e temas a serem abordados. Aqui mesmo neste texto, poderia falar sobre o possível bullying do atirador, sobre a sua possível religião. Mas vou me deter a outros dois assuntos, que, creio, requerem um pouco mais de atenção: a cobertura da mídia e as reações das pessoas diante desse crime. Naturalmente, um crime com tamanha magnitude não pode passar despercebido pela mídia. O fato certamente foi noticiado em todos os veículos, de diferentes gêneros. No entanto, como era de se esperar, a imprensa brasileira explorou ao máximo a tragédia. Na TV, Sonia Abraão e Ana M...

Direito à escolha

Fazia tempos que queria assistir ao filme Mar adentro, que já é antiguinho (2004), mas por vários motivos, acabava sempre por adiar. Até que nas últimas férias finalmente consegui ver. Mar adentro tem no papel principal Javier Bardem, com uma ótima atuação. Porém, o meu intuito não é de falar sobre o filme em si e a encenação de Bardem, mas sim sobre o tema que o filme se propõe a discutir: a eutanásia. A história é baseada em fatos reais e retrata a vida de Ramón Sampedro (Bardem), um homem que na juventude sofreu um acidente marítimo que o deixou tetraplégico para sempre. Durante 28 anos, Sampedro esteve preso a uma cama, completamente paralisado e à mercê dos outros. Cansado dessa vida e com plenas faculdades mentais, passou a lutar na justiça para ter o direito de pôr fim ao seu sofrimento. No entanto, seu desejo não foi bem recebido por alguns membros de sua família, pela justiça, pela igreja e pela sociedade. Depois de ver o filme, percebi que ainda não tinha uma posição definid...

Fones, para que te quero?

Hoje eu caminhava pela rua, quando passou por mim um rapaz com o celular ligado, escutando um funk no último volume, sem o uso de fones, mas com os fones pendurados no pescoço. Pensei que, assim como eu, outras pessoas também devem se sentir incomodadas com esse tipo de atitude. Ações desse tipo me deixam muito irritada. Acho uma falta de educação, pois ninguém é obrigado a ouvir o que não quer. Mas o pior é quando esse tipo de coisa ocorre dentro de um ônibus lotado ou trem. Muitas pessoas não têm noção do ridículo e consideração para com os outros. Agem de forma totalmente egoísta.  No trem é comum ouvir músicas a contragosto, só porque alguém decidiu que quer escutar música em tal momento e o faz sem a utilização dos “queridos” fones. Não condeno ouvir músicas em locais públicos, no trem, em qualquer lugar, até mesmo porque é uma forma de ocupar o tempo, mas desde que a pessoa use os benditos fones de ouvidos e não atrapalhe os outros. No entanto, em muitos casos os fones não ...

Outras formas de felicidade

Não gosto de escutar conversas alheias, me sinto invadindo a intimidade das pessoas, mas como não sou surda… Duas situações me puseram a pensar no mesmo assunto. Um dia, no ônibus, duas mulheres comentavam sobre o futuro de determinado casal: ah, se eles se amam mesmo, vão casar. Outro dia, outras duas pessoas, dessa vez homens, conversavam sobre um casal que casou há alguns anos e que ainda não tem filhos. Um deles dizia: já está na hora, já faz tempo que casaram. São dois temas diferentes; no entanto, ambos me levam à mesma conclusão. Quem disse que quando se ama é necessário casar? Onde está decretado isso? Falo por experiência própria, namoro há bastante tempo, sou feliz, e, no entanto, não temos planos de casar. Pelo menos não em um futuro próximo. Estamos bem assim, mas parece que as pessoas não acreditam. As pessoas insistem em tentar nos fazer aceitar os seus pontos de vista, ou seja, de que estamos errados. Um pedaço de papel não vai dar a mim nem a ninguém a garantia de feli...

Marcas do Amor

Sempre quis escrever sobre pessoas que marcam seus corpos em homenagem a um amor, mas, o texto ficava somente na minha mente, à espera de uma oportunidade. Até que dias atrás vi um casal no trem. Ele tinha uma tatuagem no braço com o nome dela. Era visível que fora feita há pouco tempo. Percebia-se claramente a pele besuntada de pomada. Esse ato de marcar o corpo com o nome do (a) namorado (a) sempre me inspirou questionamentos. O que leva uma pessoa a fazer uma tatuagem com o nome, e às vezes até o rosto do amado (a)? Por que as pessoas fazem isso? Sinceramente, não entendo. Bom, se compararmos com as pessoas que fazem tatuagens em homenagem à celebridades, isso até que não é tão grave. Mas, voltemos ao assunto proposto. Compreendo que muitos fazem com o objetivo de prestar uma homenagem à pessoa, para mostrar o quanto ela é especial. Mas, convenhamos, há maneiras mais simples para demonstrar afeto, carinho, amor. Um cartão, uma flor, coisas do cotidiano. Eu jamais marcaria meu cor...

Midiocracia

Injustiça, impunidade, mortes, preconceito, maus-tratos, torturas, é sobre isso que fala o livro-reportagem Bar Bodega , do jornalista Carlos Dorneles. O livro relata a história de assalto e mortes que aconteceu no interior do Bar Bodega, um bar conceituado no bairro de classe média Moema, São Paulo, no ano de 1996. Em agosto de 1996 cinco homens adentraram o local, roubaram pertences dos freqüentadores, incluindo jóias, relógios, dinheiro. Porém, isso não foi o mais grave. Os assaltantes fizeram duas vítimas fatais. A jovem estudante de odontologia Adriana Ciola e o dentista José Renato Tahan foram mortos com tiros, sem piedade. A polícia, com a gana de solucionar rapidamente o caso, prendeu o menor Cléverson, totalmente inocente na história. Como Cléverson já tivera problemas com a polícia, policiais acharam que ele estava envolvido no crime do Bar Bodega. Realmente, neste crime Cléverson era inocente. Mas, com a pressão por parte da polícia, dos familiares das vítimas e da impren...